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Leia matéria publicada em O Globo sobre futuro dos elevadores

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Leia matéria publicada em O Globo sobre futuro dos elevadores

 Leia matéria publicada em O Globo sobre futuro dos elevadores

No último sábado, o jornal O Globo, do Rio de Janeiro, publicou na coluna “Conte algo que não sei”, uma entrevista com o pesquisador alemão Rüdiger Appunn, engenheiro elétrico, ativo na vanguarda das soluções para transporte e mobilidade, que esteve no Rio para uma conferência sobre tecnologias de levitação magnética. Nós reproduzimos, aqui, a matéria, a fim de que você possa ter acesso a um conteúdo tão interessante sobre o futuro dos elevadores.

 

“Conte algo que não sei.

Há algum tempo, tecnologias de levitação magnética (maglev) são apontadas como potenciais revolucionadoras no transporte sobre trilhos, tanto com trens de alta velocidade quanto para a mobilidade urbana. Mas, além de levar pessoas de um lado para outro, elas podem, agora, levá-las para cima e para baixo. Com a construção de arranhacéus cada vez mais altos, perto de um quilômetro, o transporte vertical é um fator crítico. Em breve, os elevadores flutuarão.

 

Como é hoje esse transporte nos arranha-céus?
O maior é o do Burj Khalifa, prédio mais alto do mundo, com 829,8 metros, em Dubai. Após 500 metros é preciso trocar de elevador. E este é o limite que um elevador convencional pode alcançar. Além disso, o cabo de aço fica pesado e as oscilações da cabine muito grandes para o elevador funcionar.

 

Como serão esses novos elevadores de levitação?
A solução é eliminar o próprio cabo. Múltiplas cabines podem operar no mesmo poço. Podemos criar um sistema em que as cabines mudam de poço, como um moderno paternoster, sistema de elevadores do século XIX em que as cabines se movem ao longo de uma cinta, subindo de um lado e descendo do outro.

 

Como tais elevadores “flutuarão” de um andar para outro?
O princípio é o de trens e bondes de levitação magnética, só que, no caso, os trilhos são verticais e as cabines impulsionadas dentro dos poços por campos magnéticos, sem contato com as paredes e nada no caminho.

 

Parece o desenho dos Jetsons ou os elevadores externos de “Minority report” e “Quinto elemento”…
A tecnologia está aí e é conhecida. É só uma questão de investimento. Os elevadores maglev custariam três vezes mais que os tradicionais. Mas seriam necessários menos poços para a mesma capacidade de transporte. Sem contar os ganhos com energia, manutenção etc. Em nosso instituto, podemos demonstrar que a tecnologia funciona e é eficiente, mas não temos condições de construir um arranhacéu e instalar o sistema nele.

 

E os elevadores espaciais, que uma empresa japonesa anunciou para 2050?
Uma das configurações possíveis, neste caso, seria a de cabines que subiriam ao longo de nanotubos de carbono, muito mais resistentes que o aço, esticados até uma estação em uma órbita geoestacionária da Terra (cerca de 30 mil quilômetros de altitude, sempre sobre a mesma posição acima do planeta), muito sujeita a oscilações e estresses mecânicos. A tecnologia permite velocidades muito acima das comuns. Hoje, o elevador mais rápido do mundo chega a 45 km/h. Já nos elevadores maglev o limite seria o conforto dos passageiros, as forças a que estariam submetidos na aceleração e desaceleração. Além disso, o que costuma deixar as pessoas enjoadas em elevadores não é o movimento vertical, mas as oscilações laterais da cabine, que praticamente não existiriam.

 

E quanto à segurança? Nos elevadores comuns, pensamos que há pelo menos um cabo segurando a cabine…
Os elevadores por levitação seriam muito mais seguros que os comuns, que contam com freios de emergência. Podem ser equipados com imãs, não dependentes do fornecimento de energia, que os levariam até o térreo em caso de falta de eletricidade, ou sistemas de frenagem regenerativa para movimentar todas as cabines para posições de segurança em caso de blecaute.”

 

Entrevista concedida ao jornalista Cesar Baima
Fonte: Jornal O Globo, 4 de outubro de 2014.



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